A novela que o telejornalismo está fazendo do Caso Eloá teve um dos capítulos mais repugnantes hoje. Os jornalistas não hesitam em filmar e fotografar o velório e o enterro da menina. É uma falta de sensibilidade que se traveste de interesse público. Enquanto o caixão era descido, flashes e mais flashes iluminavam o cemitério. Tudo para ter a melhor imagem do momento EXATO em que tudo aconteceu. Essa neura que os jornalistas têm por fontes e imagens alcança níveis inacreditáveis em casos como esse (casos que o jornalismo adora). Enfim, o caso teve o desfecho ideal para essas pessoas. Assunto suficiente para que seja feita uma nova novela, em que a vida de Eloá possui muito interesse, já que é o que mais dá audiência.
Ontem, a notícia foi: “Nayara chora ao saber da morte de Eloá”. Eu não tenho dúvida nenhuma de que, se pudessem, os jornalistas queriam filmar e fotografar o instante exato em que alguém contou a Nayara sobre o desfecho do caso. Ora, tudo em nome da informação, não é verdade?
Durante a semana, várias foram as notícias provocadas pelos jornalistas para manter o caso em evidência. Chegaram a perguntar para o Muricy Ramalho, técnico do Sâo Paulo, o que ele achava sobre o caso. Ora, pouco importa o que o Muricy acha sobre o caso. Ou melhor, importa tanto quanto aquilo que eu mesmo acho. O que define que a opinião dele seja notícia e a minha não? A notoriedade, naturalmente. O pior é que o Muricy embarcou nesse trama jornalística, respondendo a pergunta. “Se toca, Lindemberg”, falou ele, na quarta-feira. Também virou notícia o fato de que o governador José Serra visitou as duas moças no hospital. O que, a bem da verdade, não tem importância alguma. Um tola rotina protocolar, que só vira notícia porque tudo que um governador faz vira notícia.
Vamos ver quanto tempo a imprensa gastará para explorar a vida da pobre Eloá. No Caso Isabella, eles perderam a mão, e a população não aguentava mais ouvir notícias sobre o caso – embora tentassem provar o contrário. Tudo isso, repito, muito bem travestido de apelo popular.
Nesse momento em que escrevo, chamam a atenção para a atitude de Nayara, ressaltando seus gestos de amizade. Não digo que não seja verdade. De qualquer forma, isso é noticiado apenas porque o jornalismo precisa de heróis, vivos ou mortos. É a mesma lógica que acontece quando se trata das doações de órgãos de Eloá. Fulana recebeu o coração (e bem no aniversário dela!). São personagens muito úteis para o nosso bom e velho jornalismo urubu.
como não se tem sobre o que falar até o final do ano o assunto da mídia vai ser o CASO ELOÁ. pois a mídia trata logo de nomear.
Caso Isabela Nardonne, Caso Eloá Cristina Pimentel… e virão outros…
como não se tem sobre o que falar até o final do ano o assunto da mídia vai ser o CASO ELOÁ. pois a mídia trata logo de nomear.
Caso Isabela Nardonne, Caso Eloá Cristina Pimentel… e virão outros… para continuar dando a ‘estes’ assunto e sustentar seus “empregos”
Nos telejornais , alguns mais sensasiolistas do que outros, mostrou a comoção de todos no velório e agora no enterro de Eloá. Não considero que seja uma comoção de TODOS ali presentes. Exceto a família e amigos de Eloá,nós observamos centenas de curiosos bem visívies,sem comoção aparente.Todos os casos que viram ibope e sensasionalismo na mídia parece-nos que é copiado por várias pessoas como em uma tentativa de aparecer. Após esse sequestro que resultou em um crime passional, já apreceram vários semelhantes. Gostaria de conhecer a interpretação de algum sociólogo sobre isso. Achei interessante e concordei com as conclusões do proprietário deste blog. Um abraço!
Tags: Jornalismo, Shownalismo, Eloá, Caso Eloá, Eloá Pimentel, Eloá Cristina Pimentel, Lindemberg Alves Fernandes, Eloah, Lindemberg, Lindenberg, Lindenbergue
A novela que o telejornalismo está fazendo do Caso Eloá teve um dos capítulos mais repugnantes hoje. Os jornalistas não hesitam em filmar e fotografar o velório e o enterro da menina. É uma falta de sensibilidade que se traveste de interesse público. Enquanto o caixão era descido, flashes e mais flashes iluminavam o cemitério. Tudo para ter a melhor imagem do momento EXATO em que tudo aconteceu. Essa neura que os jornalistas têm por fontes e imagens alcança níveis inacreditáveis em casos como esse (casos que o jornalismo adora). Enfim, o caso teve o desfecho ideal para essas pessoas. Assunto suficiente para que seja feita uma nova novela, em que a vida de Eloá possui muito interesse, já que é o que mais dá audiência.
Ontem, a notícia foi: “Nayara chora ao saber da morte de Eloá”. Eu não tenho dúvida nenhuma de que, se pudessem, os jornalistas queriam filmar e fotografar o instante exato em que alguém contou a Nayara sobre o desfecho do caso. Ora, tudo em nome da informação, não é verdade?
Durante a semana, várias foram as notícias provocadas pelos jornalistas para manter o caso em evidência. Chegaram a perguntar para o Muricy Ramalho, técnico do Sâo Paulo, o que ele achava sobre o caso. Ora, pouco importa o que o Muricy acha sobre o caso. Ou melhor, importa tanto quanto aquilo que eu mesmo acho. O que define que a opinião dele seja notícia e a minha não? A notoriedade, naturalmente. O pior é que o Muricy embarcou nesse trama jornalística, respondendo a pergunta. “Se toca, Lindemberg”, falou ele, na quarta-feira. Também virou notícia o fato de que o governador José Serra visitou as duas moças no hospital. O que, a bem da verdade, não tem importância alguma. Um tola rotina protocolar, que só vira notícia porque tudo que um governador faz vira notícia.
Vamos ver quanto tempo a imprensa gastará para explorar a vida da pobre Eloá. No Caso Isabella, eles perderam a mão, e a população não aguentava mais ouvir notícias sobre o caso – embora tentassem provar o contrário. Tudo isso, repito, muito bem travestido de apelo popular.
Nesse momento em que escrevo, chamam a atenção para a atitude de Nayara, ressaltando seus gestos de amizade. Não digo que não seja verdade. De qualquer forma, isso é noticiado apenas porque o jornalismo precisa de heróis, vivos ou mortos. É a mesma lógica que acontece quando se trata das doações de órgãos de Eloá. Fulana recebeu o coração (e bem no aniversário dela!). São personagens muito úteis para o nosso bom e velho jornalismo urubu.
3 Respostas para “Shownalismo no Caso Eloá 2”
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Terça-feira, 21 Outubro 2008 às 17:00
como não se tem sobre o que falar até o final do ano o assunto da mídia vai ser o CASO ELOÁ. pois a mídia trata logo de nomear.
Caso Isabela Nardonne, Caso Eloá Cristina Pimentel… e virão outros…
Terça-feira, 21 Outubro 2008 às 17:00
como não se tem sobre o que falar até o final do ano o assunto da mídia vai ser o CASO ELOÁ. pois a mídia trata logo de nomear.
Caso Isabela Nardonne, Caso Eloá Cristina Pimentel… e virão outros… para continuar dando a ‘estes’ assunto e sustentar seus “empregos”
Terça-feira, 21 Outubro 2008 às 15:44
Nos telejornais , alguns mais sensasiolistas do que outros, mostrou a comoção de todos no velório e agora no enterro de Eloá. Não considero que seja uma comoção de TODOS ali presentes. Exceto a família e amigos de Eloá,nós observamos centenas de curiosos bem visívies,sem comoção aparente.Todos os casos que viram ibope e sensasionalismo na mídia parece-nos que é copiado por várias pessoas como em uma tentativa de aparecer. Após esse sequestro que resultou em um crime passional, já apreceram vários semelhantes. Gostaria de conhecer a interpretação de algum sociólogo sobre isso. Achei interessante e concordei com as conclusões do proprietário deste blog. Um abraço!
acho isso uma falta de respeito com os familiares e os amigos….
TAMBEM CONCORDO COM O COMENTARIO ESTA CLASSE JORNALISTICA
DEVERIA FAZER ESTAGIO NA AFRICA OU NO ORIENTE MEDIO POIS LA E COMUM O DESCASO PELA VIDA, A POLICIA PODE TER ERRADO, MAS NUNCA PODERA SER RESPONSABILIZADA, ORA JA TEMOS O RESPONSAVEL PRESO, POIS SE A JUSTIÇA, FUNCIONA-SE, MESMO ELE DEVERIA SER CONDENADO A PENA DE MORTE, E UNICA COISA QUE POSSO LAMENTAR E O FATO DE NOSSOS POLITICOS NÃO SEREM HOMEM O BASTANTE, PARA INPLANTAR ESTA PENA NO BRASIL, GARANTO QUE SOBRARIA MUITA VAGA NO SISTEMA, PENITENCIARIO DO BRASIL, POIS AQUI REU CONFESSO GANHA A LIBERDADE, LEMBRAM DO CASO DANIELA PEREZ O GALÃ ASSASSINO ESTA LIVRE FAZ UM TEMPÃO, E LAMENTAVEL?
Sou estudante de jornalismo e Publicidade, também acho que a midia interfere muito onde nao deveria ela (a midia) está tomando o lugar da policia,pois, ela julga e condena, quando deveria somente noticiar os fatos de maneira clara e objetiva sem tanto sensacionalismo e com mais humanidade, afinal se trata de vidas que estao sendo banalizadas. Isso envergonha muito a nossa classe.
Esse é meu desabafo.
solarantes@yahoo.com.br