Pouco há de novo a se falar, jornalisticamente, sobre a entrevista de Ana Carolina de Oliveira, mãe da Isabella. Que houve grande e excessiva busca pela audiência, e grande dramatização, não resta dúvidas – e naturalmente, a mãe não tem culpa alguma disso. Mas destaco uma frase que certamente passou batida na entrevista.
Perguntou a Patrícia Poeta o motivo da mãe guardar silêncio por tanto tempo. E ela respondeu que foi uma “maneira de obter entendimento” sobre o caso, porque ela não queria “falar sem saber”, e que somente agora se sente “preparada para falar”.
Mas os jornalistas-urubus queriam que ela falasse de qualquer jeito, não é? Ninguém perguntou a ela se estava em condições de entender o que aconteceu e então falar. Todos os jornalistas estavam ávidos por qualquer declaração dela. E nem importava o que ela falasse – lógico, se fosse uma frase impactante contra o pai e a madrasta, o jornalismo agradeceria. E por isso, quando ela fica em silêncio, todos achamos estranho, porque o normal seria aparecer diante das câmeras, não importando as condições,e falando qualquer coisa, mesmo sem se ter noção da totalidade dos fatos.
Precisamos de mais pessoas que, assim com a mãe de Isabella, evitem a imprensa em situações semelhantes. Isso diminuiria o shownalismo que cobertas como essa se transformam.