Novamente, o jornalismo dá vexame a nível nacional na cobertura da prisão do pai e da madrasta da Isabella. Nada mais patético do que a cena em que um amontoado de jornalistas se acotovelam, se empurram e se socam simplesmente pra tirar uma foto ou pegar uma declaração (como se alguém, sob essas condições terroristas, pudesse falar alguma coisa).
E também novamente, se tenta legitimar o destaque dado pelo fato do “clamor popular”. Os jornais mostram como aberração da natureza o fato de uma porção de desocupados acompanharem o deslocamento da dupla. Certamente, são pessoas com sórdidos interesses. Mas chamo a atenção para a porção de jornalistas desocupados que estavam fazendo exatamente a mesma coisa.
A manchete do Jornal Hoje de ontem falou alguma coisa do tipo “ver o papelão sob o qual a madrasta dormiu”. Muito interessante, não? A matéria falava ainda que ela leu a Bíblia antes de dormir, e que já havia feito o sinal da cruz. Ora, o jornalismo cai como um patinho na tentativa da madastra em parecer uma pessoa sensível e religiosa.
E tanto esforço, tanto destaque, tanto empurra-empurra, tantos flashes, apenas para fazer uma porção de matérias totalmente objetivas e factuais, que não irão variar quase nada de veículo para veículo, com lead, sub-lead, pirâmide invertida e tudo que tem direito. Sem um pingo de lirismo, sem um gota de literatura, e apenas com a emoção que visa a audiência.
Essa cobertura aumenta ainda mais o desprezo que a maioria das pessoas têm pelos meios de comunicação.
Argh!